segunda-feira, 28 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO PARA O FUTURO

Advertia Kant de que não se deve educar segundo o estado presente, mas sim segundo o estado futuro possível e melhor da espécie humana. Poderemos dizer que é preciso educar partindo do real para o possível e tendo por horizonte o desejável. Desejar-se-á, certamente que a humanidade supere todas as suas contradições e realize todas as suas possibilidades. Se esse desejável absoluto chegasse algum dia a acontecer, teríamos a “realização do soberano bem do mundo”, “a humanidade em toda a sua perfeição”. E aí teríamos a humanidade definitivamente educada. (...) (PINTO, 1996. p. 474).

As palavras do autor acima, referindo-se a Kant, levam-nos a refletir sobre o papel da educação hoje. Kant, já em sua época traz essa perspectiva de educar para a melhora da humanidade, conforme sua evolução. Dou enfoque neste momento ao me referir à evolução, nas novas tecnologias.
Levando em consideração a análise do mesmo, parando para pensarmos na qualidade do ensino em nosso país, podemos afirmar que ao invés de ter um olhar para o futuro da humanidade, ele está se norteando no passado. A educação, digamos assim, parou no tempo, ou talvez não se deu conta de quanto tudo mudou, para inovar também. Se todos nós desejamos esse “futuro possível e melhor”, chegou a hora de arregaçarmos as mangas e ir à busca do novo.
Vem ai um desafio para os educadores. Educar para o futuro e não para o presente é uma afirmativa necessária nos dias de hoje, pois as novas tecnologias estão avançando e crescendo cada dia mais e se tornaram um bem necessário, pois são uma fonte de informações, facilidade, praticidade tão grande que são importantes para a vida corrida que a população enfrenta.
Além de sua importância, o papel das tecnologias digitais hoje na educação é fundamental. Podemos ver os resultados positivos tidos. Porém essa é uma questão que entra em discussão para certos educadores. Mas esta é uma limitação a ser superada. “(...) Educar para a emancipação é dotar os homens da capacidade de reconhecer e vencer as limitações superáveis do seu tempo.” (...) (PINTO, p. 481).
Conforme diz o autor, temos que superar nossas dificuldades. Conseguir dominar as novas tecnologias. Pode parecer uma tarefa impossível, mas não é. O que deve ser feito é ter dedicação para buscar o conhecimento desejado. Ficar parado no mesmo lugar e esperar que tudo aconteça não é a melhor alternativa. Temos que nos mobilizar para conseguirmos dominar as novas tecnologias. E como diz Pinto: “(...) O crescimento do conhecimento – ou processo de aprendizagem – não é um processo repetitivo ou cumulativo, mas um processo de eliminação de erros”.(...) (p. 491). Já ouvimos dizer a expressão: “é errando que se aprende”.
Os métodos tradicionais ainda estão muito presentes na educação, o que pode resultar no fracasso escolar. Com um novo olhar para a educação isso pode mudar, pois partindo do pressuposto de CONSTRUÇÃO de conhecimento o aluno terá novas possibilidades de aprender, sendo que ele irá pesquisar o objeto de estudo.
A fim de que “esta revolução nos hábitos escolares” possa de facto ocorrer, é preciso que cientistas e instituições de investigação sejam chamados a participar, não só na definição dos currículos dos ensinos básico e secundário, mas ainda na criação de práticas de trabalho escolar adequadas a uma aprendizagem não literária do saber científico. (...) (PINTO, p. 492).
As mudanças podem começar com o currículo, pensando em propostas inovadoras para a educação. Aí entra outra questão importantíssima, pois inovar não se resume em simplesmente introduzir materiais tecnológicos dentro da escola que servem para as crianças jogarem, passar tempo, brincarem...
As novas tecnologias devem ter uma articulação com a construção do saber, fazendo com que haja a relação, “conversa” entre as disciplinas, tornando o processo de aprender algo prazeroso, que instigue o “aprender a aprender”.
Além disso, a cada dia mais o mundo digital cresce e se faz presente em nossas vidas. Está chegando a ERA DIGITAL, onde tudo é informatizado, rápido. Daqui um tempo as pessoas terão que dominar esse saber. E além da busca do saber, a preparação para o lado profissional, a dominação do mundo digital será essencial para a própria vida. “(...) O objectivo é inscrever a aprendizagem no processo de autotranscedência emancipadora da humanidade, o que é, sem dúvida, indefinidamente mais do que preparar os alunos para a obtenção de um emprego.” (...) (PINTO, p. 493)
Pensando em tudo o que foi dito acima, vemos que temos que mudar muitos conceitos em relação à educação, às novas tecnologias, à preparação profissional dos professores... o próprio conceito de aprender.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PINTO, F. Cabral - A Formação Humana no Projecto da Modernidade. Coleção: Epistemologia e Sociedade. Instituto Piaget, 1996. p. 474 – 530.

LUANA MARIA HAUBERT PEREIRA

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