quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Processo de aprendizagens


Durante esse processo de pesquisa, além de buscarmos nossas certezas provisórias, onde pudemos nos certificar ou mudar de opinião sobre determinados aspectos e buscarmos a “solução” de nossas dúvidas temporárias, mudamos nossos conceitos em relação às novas tecnologias digitais e à inclusão destas na educação.
Destacaremos o que nos foi mais importante:
Primeiramente, podemos iniciar com o que consideramos fundamental, que “abre as portas” para essas mudanças: o fato de que hoje as crianças tem total autonomia para manusear aparelhos tecnológicos. Além dessa liberdade, a aprendizagem e o domínio destes são impressionantes, o que faz com que haja a troca dos papéis, antes tidos como inquestionáveis – alunos / filhos ensinando professores / pais.
Conforme consta no livro Homo Zappiens, a autonomia já se inicia com o uso do controle remoto, onde a criança pode escolher e definir o que deseja assistir. Parece algo normal e que não interfere em nada, mas que já serve como o início de tudo.
“(...)E cá estamos nós, a “geração do não mexe que estraga”. Como iríamos aprender se não era permitido “mexer”?(...)Esse mundo pertence a eles. E aí está, a “geração do mexe para ver como funciona”, a “geração digital”, conhecidos como “nativos digitais”. Mudou muito, não é?” SCHLEMMER, 2006).

Com as novas tecnologias, aquelas crianças que tem acesso diário em casa, tem em suas mãos uma quantidade de informações significativa que estão sempre a disposição delas. Quando necessitam saber algo, é apenas acessar a Internet, escolher o site que deseja ou fazer uma pesquisa rápida no “Google”, que terão respostas imediatas. A facilidade de buscar conhecimentos é tanta, que a escola vem perdendo seu papel de “lugar de aprendizagem”.

Levando em consideração o citado no item acima, podemos concordar com o que os autores de Homo Zappiens apontam: a escola já não tem mais graça. Crianças que são capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, não irão se deter em uma aula monótona, onde somente o professor fala e os alunos escutam, utilizando métodos tradicionais e inadequados para os tempos de hoje. A escola deverá rever seu currículo e analisar até que ponto este está sendo positivo ou negativo para a aprendizagem de seus alunos.

“As novas tecnologias criam novas chances de reformular as relações entre alunos e professores e de rever a relação da escola com o meio social, ao diversificar os espaços de construção do conhecimento, ao revolucionar processos e metodologias de aprendizagem, permitindo à escola um novo diálogo com os indivíduos e com o mundo. Para isso, é fundamental colocar o conhecimento à disposição de um número cada vez maior de pessoas, dispondo de ambientes de aprendizagem em que as novas tecnologias sejam ferramentas instigadoras, capazes de colaborar para uma reflexão crítica, para o desenvolvimento da pesquisa, sendo facilitadores da aprendizagem de forma permanente e autônoma”. (MERCADO, p.27, 1999).

· Se a escola quer inovar, serão necessárias mudanças nos recursos pedagógicos, humanos, físicos... “Não basta apenas dotar as escolas com novas tecnologias, comprando equipamentos sofisticados e aumentando o espaço físico, sendo necessário formar e preparar o professor para que ele tire o melhor proveito destas tecnologias que estão à sua disposição.” (MERCADO, p. 25, 1999).
Os educadores tem que tomar sua consciência de inacabamento, conforme diz Paulo Freire. Sair da condição da comodidade e buscar novos conhecimentos e superar seus limites. Não será uma tarefa fácil, pois além de tudo, o novo nos traz insegurança, mas será o desafio a ser enfrentado.
Observamos que a formação dos professores impossibilita que as novas tecnologias sejam implantadas na sala de aula.
“Isso requer um bom conhecimento destas tecnologias e de suas potencialidades como instrumento didático. Conseguir esta formação é um desafio, tendo em conta que a maioria dos professores de nível primário e secundário não se beneficiam de um ensino de novas tecnologias em sua formação inicial”.(MERCADO, p. 25, 1999).

· “ A escola passa a ser um lugar mais interessante que prepara o aluno para seu futuro. A aprendizagem centra-se nas diferenças individuais e na capacitação do aluno para torná-lo um usuário capaz de usar vários tipos de fontes de informação e meios de comunicação eletrônica, de forma crítica na construção do conhecimento”. (MERCADO, p. 27, 1999).
Esta é a escola que queremos. Vemos que além das novas tecnologias, há outrros aspectos importantes que devem ser revistos para a educação na educação: o respeito ao aluno, com seu corpo, seu tempo, suas necessidades, sua realidade...
“Não é simplesmente modernizando as técnicas, que acontecerão melhorias no processo educativo. Para introduzir novas tecnologias na escola, é preciso que a própria escola defina que tipo de indivíduos ela quer formar, e que as novas tecnologias apareçam fazendo parte de um processo de mudança na organização escolar e inovadora no trabalho docente”. (MERCADO, p. 31, 1999).

· E para finalizar, citando mais uma aprendizagem importante nesse processo de busca de conhecimento, citamos a importância de trabalharmos com projetos de aprendizagem. Prova real disso foi o nosso próprio projeto, onde focamos o assunto e fomos em busca do que poderia nos ajudar. Através dessa busca, que dependia apenas de nosso empenho, vimos que o professor não precisa trazer tudo proto e “mastigado” para seu aluno, mas sim proporcionar e disponibilizar o acesso ao que for necessário para que o conhecimento seja construído. Ocorre, assim, uma aprendizagem significativa, podendo contar com recursos inovadores, além de ser algo prazeroso e legal para as crianças. A escola não tem que ser um lugar monótono, onde apenas o professor é portador de toda a verdade e decide o que deve ser aprendido ou não, mas sim um ambiente de novas possibilidades, abrindo um leque de inovações.
“Os projetos telemáticos favorecem um envolvimento de realidades culturais distintas, o que leva ao estudo de conteúdos culturais, criando situações de aprendizagem caracterizadas pela sua significativa funcionalidade, permitindo que cada estudante possa “aprender a aprender”, objetivo central da educação, sendo capaz de realizar aprendizagens relevantes por si só em várias situações e circunstâncias”. (MERCADO, p. 29, 1999).

Referências
MERCADO, Luiz Paulo Leopoldo, Formação Continuada de Professores e Novas Tecnologias / Maceió: EDUCAL, 1999, 176p. – capítulo 2: A educação na sociedade do conhecimento.

Revista Textual, setembro 2006 – O trabalho do professor e as novas tecnologias. Eliane Schlemmer – p. 33 – 42.

Veen, Wim. Homo Zappiens: educação na era digital / Wim Veen, Bem Vrakking; tradução Vinícius Figueira – Porto Alegre. Artmed, 2009. 141p.
Luana Pereira

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